{"id":149066,"date":"2026-06-24T12:18:22","date_gmt":"2026-06-24T15:18:22","guid":{"rendered":"https:\/\/paulorobertodaradio.com.br\/site\/?p=149066"},"modified":"2026-06-24T12:18:22","modified_gmt":"2026-06-24T15:18:22","slug":"feminicidio-ou-disputa-por-terras-suspeitas-pela-morte-de-influencer-do-agro-em-mutum","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/paulorobertodaradio.com.br\/site\/?p=149066","title":{"rendered":"FEMINIC\u00cdDIO OU DISPUTA POR TERRAS- SUSPEITAS PELA MORTE DE INFLUENCER DO AGRO EM MUTUM"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;As principais suspeitas s\u00e3o de feminic\u00eddio e disputa de terras&#8221;, declarou Carina Goiat\u00e1, advogada da fam\u00edlia da produtora rural Alzira Maria Theodoro Luiz, conhecida nas redes sociais como \u201cinfluenciadora do agro\u201d e que foi morta a tiros dentro da pr\u00f3pria casa, em 8 de junho, em Mutum, no Vale do Rio Doce. Ela tinha 43 anos e deixou quatro filhos. A Pol\u00edcia Civil (PCMG) n\u00e3o confirma as linhas de investiga\u00e7\u00e3o e informa apenas que \u201cas dilig\u00eancias seguem em formato confidencial ou car\u00e1ter sigiloso\u201d.<\/p>\n<p>Em 2025, Alzira se relacionou com um homem. Por\u00e9m, quando descobriu que ele era casado, findou o relacionamento. \u201cCerca de um m\u00eas e meio antes da morte dela, minha m\u00e3e voltou para Mutum\u201d, relata o filho mais velho, Bruno Theodoro Mo\u00e7o, de 27 anos, que mora em Concei\u00e7\u00e3o do Castelo, no Esp\u00edrito Santo, onde a influenciadora, nascida em Mutum, tamb\u00e9m morou no \u00faltimo ano.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/paulorobertodaradio.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AUZIRA.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-149067\" src=\"http:\/\/paulorobertodaradio.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AUZIRA.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"720\" srcset=\"http:\/\/paulorobertodaradio.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AUZIRA.jpg 1200w, http:\/\/paulorobertodaradio.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AUZIRA-300x180.jpg 300w, http:\/\/paulorobertodaradio.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AUZIRA-1024x614.jpg 1024w, http:\/\/paulorobertodaradio.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/AUZIRA-768x461.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a>Constantemente bombardeada com propostas para vender suas terras, a influencer passou por um susto no segundo dia ap\u00f3s retornar ao s\u00edtio localizado na cidade do Vale do Rio Doce. \u201cEla estava dormindo, e bateram forte na janela. Ela gritou, e a pessoa (suspeita) fugiu\u201d, recorda Bruno.<\/p>\n<p>Sob um clima de medo e inseguran\u00e7a, a influenciadora contou com a companhia de dois de seus filhos &#8211; Daniel, de 25 anos, e Anton\u00edas, de 20 -, e um funcion\u00e1rio do s\u00edtio durante \u201calguns dias\u201d, relata Bruno. A outra filha dela, Maria, de 18, mora com o irm\u00e3o mais velho no Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>No entanto, em menos de 24 horas depois que eles deixaram a casa, em 8 de junho, a mulher foi alvejada na cabe\u00e7a. Dois homens em uma moto, n\u00e3o identificados, s\u00e3o apontados como os respons\u00e1veis pelos tiros. \u201cEsperaram ficar sozinha para fazer isso com ela\u201d, completou o filho, referindo-se \u00e0 morte de Alzira. At\u00e9 o momento, ningu\u00e9m foi preso pelo crime.<\/p>\n<p>Para o filho mais velho de Alzira, o crime apresenta ind\u00edcios de planejamento. A principal suspeita \u00e9 que a v\u00edtima vinha sendo observada desde que retornou a Mutum.<\/p>\n<p>Bruno aponta inc\u00f4modo pela forma como as autoridades de Mutum est\u00e3o guiando o caso. \u201cAcho que a investiga\u00e7\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 de p\u00e9 at\u00e9 agora pelo esfor\u00e7o que nossa fam\u00edlia est\u00e1 fazendo. Te garanto: se minha m\u00e3e n\u00e3o tivesse essa quantidade de seguidores, isso cairia no esquecimento, e minha m\u00e3e seria s\u00f3 mais uma\u201d, afirma o primog\u00eanito da influenciadora.<\/p>\n<p>O filho tamb\u00e9m teme que o caso perca for\u00e7a com o passar do tempo. &#8220;Tenho certeza que, se deixarmos de falar e cair no esquecimento, n\u00e3o teremos nenhuma resposta.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo a advogada Carina Goiat\u00e1, o sentimento predominante entre os familiares \u00e9 de medo. &#8220;N\u00e3o conseguem explicar por que fizeram isso com a Alzira.&#8221;<\/p>\n<p>Rela\u00e7\u00e3o com homem comprometido e disputa por terras<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o existam suspeitos formalmente apontados pela pol\u00edcia, a advogada enfatiza que investiga\u00e7\u00f5es paralelas realizadas pela fam\u00edlia levantaram informa\u00e7\u00f5es que colocam duas hip\u00f3teses no centro das aten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo Carina, uma das linhas envolve um relacionamento vivido por Alzira no ano passado. O homem teria se apresentado como divorciado, mas posteriormente a influenciadora descobriu que ele ainda era casado e terminou o v\u00ednculo.<\/p>\n<p>No entanto, a influenciadora passou a ser perseguida pelo homem e a esposa dele, diz.<\/p>\n<p>&#8220;A esposa descobriu e come\u00e7ou a mandar mensagens (para Alzira). Ele n\u00e3o aceitou o t\u00e9rmino com ela (influenciadora) e continuou insistindo&#8221;, relata Carina.<\/p>\n<p>Segundo ela, mensagens recebidas pela produtora rural mencionavam epis\u00f3dios de viol\u00eancia dom\u00e9stica j\u00e1 sofridos pela esposa do homem e traziam um tom amea\u00e7ador de que algo semelhante poderia acontecer com Alzira.<\/p>\n<p>A outra hip\u00f3tese considerada pela defesa envolve a propriedade rural da v\u00edtima. Alzira era dona de um s\u00edtio com cerca de 12 hectares, onde cultivava caf\u00e9 e produzia conte\u00fado sobre o agroneg\u00f3cio nas redes sociais &#8211; em seus perfis, possu\u00eda 70 mil seguidores; no TikTok, s\u00e3o mais de 1 milh\u00e3o de curtidas.<\/p>\n<p>\u00c1udio vazado e briga por venda de caf\u00e9 s\u00e3o desmentidos<\/p>\n<p>Nos dias seguintes ao assassinato, diferentes vers\u00f5es passaram a circular pelas redes sociais e grupos de mensagens. Uma delas apontava um suposto desentendimento envolvendo a venda de sacas de caf\u00e9. Outra se baseava em um \u00e1udio atribu\u00eddo ao filho da v\u00edtima. A advogada da fam\u00edlia nega ambas as vers\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo Carina, a \u00faltima colheita de caf\u00e9 da produtora rural ocorreu em maio do ano passado e n\u00e3o teve um bom resultado. Foi justamente por causa das dificuldades financeiras da lavoura que Alzira decidiu trabalhar como cuidadora de idosos em Concei\u00e7\u00e3o do Castelo para reunir recursos e investir novamente na propriedade.<\/p>\n<p>Bruno tamb\u00e9m afirma ter sido alvo de acusa\u00e7\u00f5es ap\u00f3s o crime. &#8220;Fui alvo de muitas acusa\u00e7\u00f5es de fazer isso por heran\u00e7a&#8221;, relatou o filho. \u201cPelo contr\u00e1rio, n\u00f3s fic\u00e1vamos muito felizes por ele ter a casinha dela, o s\u00edtio, conquistar as coisas dela.\u201d<\/p>\n<p>Ele evita apontar suspeitos publicamente. &#8220;Suspeita a gente sempre tem, mas se eu acusar algu\u00e9m, posso cometer o mesmo erro de quem est\u00e1 me acusando&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Recompensa de R$ 2 mil por informa\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Diante da falta de respostas, a equipe jur\u00eddica criou um canal pr\u00f3prio para recebimento de informa\u00e7\u00f5es e den\u00fancias sobre o assassinato.<\/p>\n<p>A iniciativa oferece recompensa de R$ 2 mil por alguma informa\u00e7\u00e3o que auxilie na investiga\u00e7\u00e3o e busca estimular moradores da regi\u00e3o a compartilharem o que sabem de forma segura. &#8220;J\u00e1 tivemos 11 den\u00fancias (at\u00e9 as 18h dessa sexta-feira &#8211; 19\/6), dentre elas, uma bem forte. S\u00f3 podemos passar para a pol\u00edcia depois de verificar&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Carina acredita que o sil\u00eancio em torno do caso pode estar relacionado ao medo de retalia\u00e7\u00e3o por parte dos criminosos.<\/p>\n<p>Advogada com medida protetiva \u00e9 assassinada pelo ex em MG<\/p>\n<p>Pol\u00edcia mant\u00e9m sigilo<\/p>\n<p>Desde o assassinato, a reportagem procurou a Pol\u00edcia Civil e a Prefeitura de Mutum em busca de informa\u00e7\u00f5es sobre suspeitos, linhas de investiga\u00e7\u00e3o e poss\u00edveis avan\u00e7os no caso.<\/p>\n<p>Em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, a Pol\u00edcia Civil respondeu ao Estado de Minas, por meio da mesma nota, que \u201cas investiga\u00e7\u00f5es seguem em andamento sob sigilo e confidencialidade\u201d.<\/p>\n<p>O prefeito da cidade, Claudinei Clemente (Republicanos), disse que conversa com a pol\u00edcia diariamente, mas n\u00e3o comentou detalhes sobre as apura\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Estado de Minas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;As principais suspeitas s\u00e3o de feminic\u00eddio e disputa de terras&#8221;, declarou Carina Goiat\u00e1, advogada da fam\u00edlia da produtora rural Alzira Maria Theodoro Luiz, conhecida nas redes sociais como \u201cinfluenciadora do agro\u201d e que foi morta a tiros dentro da pr\u00f3pria casa, em 8 de junho, em Mutum, no Vale do Rio Doce. 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