POLÍCIA CIVIL CONCLUI INVESTIGAÇÃO DE HOMICÍDIO EM PRESÍDIO DE MURIAÉ. HOMOSEXUAL PRESO POR CRIME DE OUTRO HOMICÍDIO CONFESSA O CRIME

POLÍCIA CIVIL CONCLUI INVESTIGAÇÃO DE HOMICÍDIO EM PRESÍDIO DE MURIAÉ. HOMOSEXUAL PRESO POR CRIME DE OUTRO HOMICÍDIO CONFESSA O CRIME

A Polícia Civil concluiu, nesta quarta-feira (21), o inquérito que investigava a morte do detento Douglas Cristóvão Fernandes, de 38 anos, ocorrida no interior da Penitenciária Doutor Manoel Martins Lisboa Júnior, em Muriaé. O crime foi registrado no dia 12 de janeiro.

De acordo com as investigações, Douglas foi morto dentro da cela que dividia com outros presos. Um detento de 41 anos assumiu a autoria do crime e foi indiciado por homicídio triplamente qualificado, por motivo fútil, asfixia e uso de recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa da vítima. A pena, em caso de condenação, pode ultrapassar 30 anos de prisão.

Segundo o delegado responsável pelo caso, Tayrony Espíndola, o autor do crime relatou que sofria hostilidades e ameaças dentro da unidade prisional por ser homossexual, além de pressões de integrantes da facção Comando Vermelho. Ainda conforme a apuração, o agressor teria tomado conhecimento de que a vítima estava em processo de reintegração à facção e que havia recebido sinalização positiva para retornar ao grupo criminoso.

Diante desse cenário, o preso teria decidido agir primeiro, por se sentir ameaçado. Em depoimento, ele afirmou que o crime foi uma resposta às perseguições e à intolerância sofridas no ambiente carcerário. Inicialmente, havia a informação de que a vítima poderia ser homossexual, mas a Polícia Civil esclareceu que essa condição se refere ao autor do homicídio.

A investigação apontou que Douglas Cristóvão foi agredido e asfixiado com o uso de uma corda dentro da cela, enquanto os demais detentos estavam no pátio durante o horário de banho de sol. O corpo também apresentava sinais de esquartejamento, realizado com uma lâmina de barbear. Exames complementares ainda vão determinar se essa ação ocorreu com a vítima já sem vida.

Além do autor confesso, outro detento que estava na cela no momento do crime e que teria auxiliado na contenção da vítima também foi indiciado. Ambos vão responder por homicídio triplamente qualificado.

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública informou que o autor do crime já cumpria pena por outro homicídio e permanece custodiado na mesma unidade prisional. Em nota, a Sejusp informou que o caso está sendo apurado administrativamente, por meio de um procedimento interno instaurado pela direção da penitenciária. Durante a apuração, o preso será ouvido pelo Conselho Disciplinar da unidade e poderá sofrer sanções administrativas, além da comunicação ao juiz da execução penal.

Com a conclusão do inquérito, o caso foi encaminhado ao Ministério Público de Minas Gerais, que irá analisar se oferece ou não denúncia à Justiça.

 

Fonte: Marcelo Lopes

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